Queijo mineiro é premiado na França

Queijo mineiro é premiado na França

Salão Mundial do Queijo premia 11 receitas artesanais do interior do estado, reconhecendo qualidade e tradição

A produtora de queijo minas artesanal Marli Leite, do pequeno município de Sacramento, no Alto Paranaíba, recebeu o prêmio Super Ouro no Salão Mundial do Queijo, encerrado ontem em Tours, na França. Entre mais de 700 competidores de 20 países, 11 queijos produzidos em Minas Gerais foram premiados.

O queijo minas artesanal é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). Há estimativas de que a atividade gera renda e emprego para cerca de 30 mil famílias num universo superior a 600 municípios de Minas.

Junto do marido, Joel Urias Leite, também de Sacramento, a produtora Marli Leite se destacou na terceira edição do evento francês Queijo Global e Produtos Lácteos (Mondial du Fromage et des Produits Laitiers). A produção de queijo da Fazenda Caxambu está entre 50 e 70 peças por dia. A comercialização é feita principalmente no município e região. A premiação na França foi recebida por Marli, que está participando de uma missão técnica promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), em parceria com a ONG SerTãoBras.

O casal recebe há 10 anos apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), que acompanha os passos da produção do queijo, desde a sanidade e alimentação do rebanho, até a produção final. “Orientamos sobre a adubação da pastagem, formação de piquetes, e até sobre a obtenção de crédito rural”, explica o técnico da Emater em Sacramento, Alison Rodrigues Sousa.

A veterinária da Emater Sílvia Passos integra a equipe que presta assistência técnica ao casal de Sacramento. Segundo ela, os produtores fazem parte do Programa Queijo Minas Artesanal, desenvolvido pela empresa desde 2007. “Nada foi da noite para o dia. É um trabalho de muitos anos, já que a família tem uma longa tradição da produção de queijo. A atuação do trabalho em família tem sido muito importante nesse processo”, afirma.

Sílvia avalia que o próximo desafio do casal é ampliar o mercado consumidor. “Atualmente, estamos trabalhando com a família para a obtenção do Sisbi (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal) , o selo do Ministério da Agricultura, que permite que eles comercializem em todo o país”, diz.

CANASTRA E SERRO O produtor Reinaldo de Faria Costa, do município de Vargem Grande, da região da Canastra, também foi premiado no Salão Mundial do Queijo. Ele recebeu o prêmio prata, com uma amostra de queijo minas artesanal. Agricultor familiar, ele produz entre 15 e 20 unidades de queijo por dia na Fazenda Capivara, e também conta com a assistência da Emater-MG.

“Ele já ganhou muitos concursos regionais promovidos pela Emater-MG e, no ano passado, ficou em quinto lugar no Concurso Estadual”, explica o técnico da empresa Lívio Múcio de Souza. A Emater-MG, junto com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), está agora orientando o produtor para que ele consiga o selo do (Sisbi), para que a venda possa ser feita em todos os estados brasileiros.

Hoje, o produtor vende os queijos principalmente no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, de Confins, próximo a Belo Horizonte, e para turistas que visitam o município de Vargem Grande, que faz parte da rota turística da Serra da Canastra. Outra produtora orientada pela Emater-MG e premiada do concurso mundial foi Lúcia Maria Resende, de Tiradentes, região do Campo das Vertentes. Ela foi agraciada na categoria Bronze. O prêmio recebido na França não é o único que ela vai colocar na prateleira de casa. Lúcia Maria foi a grande vencedora do Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal, promovido pela Emater-MG, no ano passado.

Da região do Serro, quatro queijos foram premiados. Três deles levaram medalha de prata e um de bronze. Dois queijos foram enviados pela Cooperativa dos Produtores Ruais do Serro (Coperserro). “Temos uma grande parceria com a Cooperserro. Auxiliamos no cadastramento dos produtores do IMA, orientando em relação à adequação das instalações e sobre a documentação necessária”, explica o técnico Manuel Jair Pimenta Júnior. Levantamento de dados já divulgado pela Emater-MG indicou seis regiões produtoras de queijo minas artesanal, envolvendo mais de 9 mil produtores, que respondem pela oferta de 29 mil toneladas de queijo por ano.

 

    

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