“Centros Agroalimentares: Os Mercados Atacadistas de Quarta Geração” – Dr. Altivo Cunha

“Centros Agroalimentares: Os Mercados Atacadistas de Quarta Geração” – Dr. Altivo Cunha

Um dos grandes desafios contemporâneos é fazer com que  alimentos saudáveis cheguem de forma acessível à mesa de milhões de cidadãos e  possibilitar que milhares de produtores e comerciantes participem deste processo em uma cadeia de fornecimento geradora de desenvolvimento e oportunidades.

A criação de novos mercados atacadistas é uma realidade nas metrópoles mundiais. Alinhados com o conceito de Polos Agroalimentares, modernos mercados italianos de Verona e Bolonha estão provocando uma mudança nos mercados atacadistas italianos para aproveitar e explorar os territórios das produções de origem certificadas.  

O maior mercado atacadista europeu, o mercado de Rungis em Paris está se reinventando continuamente, criando o pavilhão Bio, dedicado exclusivamente para a comercialização de produtos orgânicos. Abriga em um moderno edifício uma   incubadora de empresas de agronegócios voltados para a oferta de alimentos frescos e pré-processados. O mercado de Barcelona inaugurará o seu pavilhão de orgânicos em breve, assim como Madri.

Novos mercados atacadistas alimentares foram construídos em Shenzhen e Tianjin na China seguindo os preceitos de polos agroalimentares. Na América latina entraram em operação os modernos mercados atacadistas de Lima, no Peru, Santo Domingo na Republica Dominicana e está em construção o grande Polo Agroalimentário de Montevidéo, com um conceito totalmente novo. 

Mercados atacadistas existem no mundo inteiro, No Brasil são 72 mercados, na América latina e Caribe, segundo a FAO, 294 mercados dos mais variados portes e modelos de gestão, 50% públicos, 50% privados.

A modernização da infraestrutura logística é necessária para promover maior eficiência econômica das atividades de abastecimento, mas não é suficiente, é apenas a parte visível de um sistema de abastecimento. É necessário estabelecer uma nova organização para a geração dos novos valores desejados por consumidores, produtores, atacadistas e varejistas. Esta configuração pode ser definida como Centros Agroalimentares ou “Mercados de Quarta Geração”. Para isto é necessário que as Centrais de Abastecimento incorporem em seu planejamento estratégico os agentes produtivos, produtores e comerciantes, os consumidores sob um conceito ampliado de Segurança Alimentar.

 A modernização logística e de infraestrutura deve estar orientada para assegurar novas bases operacionais e organizacionais. A tríade Infraestrutura, Informações e Serviços e Gestão e Controle deve promover novos produtos, novos serviços, novos negócios, atendendo aos padrões de consumo. Ainda mais, deve possibilitar a inserção de novos produtores e regiões no mercado, estimulando e desenhando sua base regional de produção.

A agenda para a construção de um novo sistema de Centrais de Abastecimento de Alimentos sua estruturação deve mirar objetivos desafiadores. O primeiro é atender os novos valores desejados por consumidores que querem informação embarcada nos produtos: qual seu valor nutricional, qual sua qualidade sanitária, como foi produzido, onde foi produzido e quem o produziu.

O segundo objetivo é fazer com que a escolha dos consumidores favoreça a entrada de novas regiões agrícolas, valorizando os aspectos locais e regionais associados à gastronomia.

 O terceiro desafio é fazer com que os operadores atacadistas sejam agentes eficientes e inovadores. Para isto as transações nos mercados atacadistas necessitam ser rápidas, com baixos custos de transação em ambiente físico limpo e seguro estando – comprador e vendedor, amparados por uma inteligência de negócios.

 Mais além, mirando as condições presentes da economia nacional as Centrais de Abastecimento devem oferecer condições e oportunidades para inserção de produtores rurais que estão à margem do sistema da grande distribuição supermercadista. Isso pode ser feito através da identificação e valorização do quesito regional, social e da forma de produção, como produtos locais, produtos orgânicos e oriundos da produção familiar.    

 Neste sentido, um exemplo a ser observado no Brasil é o projeto do novo mercado atacadista de Cuiabá-MT, em fase de licitação, que reúne em seu projeto os elementos mais inovadores e sintonizados com o padrão mundial de Centros Agroalimentares. A Ceasa-MT está sendo planejada para ser um pólo de desenvolvimento regional, de abastecimento e segurança alimentar. É um passo para o futuro, e o futuro pede urgência.

 

  • Sobre Dr. Altivo: Altivo R. A. de Almeida Cunha é Engenheiro Agrônomo Doutor em Economia pela Unicamp e Consultor da Food and Agriculture Organization da Organização das Nações Unidas (FAO/ONU).Email para contato: altivo@teiatecnologiaaplicada.com.br

Fonte: Site Ceasa MT

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