Batata é dica de consumo, com queda de 62,7% no preço

Batata é dica de consumo, com queda de 62,7% no preço

Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) um alimento essencial para o combate à fome, principalmente em países em desenvolvimento, a batata está mais acessível ao bolso do consumidor neste mês. O preço médio da hortaliça caiu 62,7%, no período de 1 a 15 de agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2016, no atacado do entreposto de Contagem. Minas Gerais é o maior produtor do país, sendo responsável por abastecer vários estados. Na Ceasa Grande Rio, por exemplo, 45,8% da batata ofertada é mineira. 

No mesmo comparativo anual de agosto, a quantidade ofertada aumentou 5,8% no atacado da CeasaMinas, passando de 6,8 mil toneladas para 7,2 mil t.

Já quando se considera o período de julho deste ano em relação ao mesmo mês de 2016, a redução no preço foi de 68,5%. A alta na oferta nesse período foi de 29,7%, passando de 13,4 mil toneladas para 17,4 t.

O consumidor deve, portanto, ficar atento para fazer economia. Para se ter uma ideia, em maio do ano passado, o preço médio do saco de 50 quilos foi de R$ 147,5 no atacado, frente a R$ 37,5, cotados neste mês de agosto.

Estímulo ao cultivo

De acordo com o chefe da Seção de Informações de Mercado da CeasaMinas, Ricardo Fernandes, a desvalorização da batata no mercado é conseqüência principalmente de preços mais altos em safras passadas, em especial de abril a agosto de 2016, o que estimulou muitos produtores a investirem no cultivo.  

“Com preços altos, muitos produtores que não mexiam com batata migraram para essa cultura. Além disso, outros que já eram bataticultores aumentaram sua área plantada”, explica o produtor rural João Paulo de Alcântara, do município de Bom Repouso, no Sul de Minas. 

Ele, que comercializa no Mercado Livre de Produtor de Contagem (MLP), tem notado aumento na procura por conta do valor mais baixo, o que, ainda assim, está sendo insuficiente para fazer o preço reagir.

Segundo Alcântara, uma das alternativas tem sido buscar preços melhores na lavoura, por meio da venda direta, sem abandonar o MLP. “Quando o preço pago na Ceasa está melhor do que na roça, deslocamos mais mercadorias para cá. Fazemos o contrário quando estão pagando melhor na lavoura”. 

O produtor também alerta para uma possível guinada nos preços em safras futuras. “Essa queda grande de preço pode vir a elevar o valor no futuro, porque normalmente esse cenário desanima os produtos a investir, diminuindo a oferta”, ressalta.

Preço X custo

De acordo com o produtor rural Luiz Renato Carvalho, do município de São Gonçalo do Sapucaí (MG), no Sul de Minas, o preço atual está abaixo do mínimo para cobrir os custos. “Meu custo para produzir um saco de batata e trazê-lo até o mercado é de R$ 60”, afirma.

Carvalho destaca que, além do aumento do cultivo em Minas Gerais, fornecedores de estados como São Paulo e Goiás contribuíram para reforçar a quantidade de mercadorias no mercado. “Para piorar a situação, o consumo das famílias caiu neste ano. Eu tenho comerciante de sacolão que antes pegava comigo 18 sacos por dia e hoje leva no máximo 8 ou 9 volumes”, ressalta.

A boa notícia para o consumidor, segundo ele, é que o preço da batata não deve reagir antes do fim de outubro. “Para o ano que vem, seria necessário que o plantio fosse reduzido em cerca de 50% para fazer o preço reagir”, estima.

Importância da batata mineira

As lavouras mineiras são responsáveis também por abastecer outras centrais de abastecimento, segundo dados do Departamento Técnico da CeasaMinas. Além da Ceasa Grande Rio, vale destacar os entrepostos na Grande Vitória (ES), onde 46,4% da batata ofertada foi proveniente de Minas Gerais em 2016; Brasília (DF), com 37,2% de participação mineira; Ceasa de São Paulo (Ceagesp), com 15,8%; e a de Campinas, com 13,6%.

Batatas contra a hipertensão

Um estudo financiado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelou, em 2011, que as batatas podem reduzir a pressão arterial em pessoas acima do peso. Na pesquisa, 18 pacientes, que apresentavam sobrepeso e obesidade associada a pressão alta, comeram de seis a oito batatas com pele (cada uma com o tamanho  aproximado de uma bola de golfe) duas vezes ao dia, durante um mês. Após esse período, os cientistas monitoraram a pressão arterial dos pacientes, e constataram a redução.

Vale destacar que as batatas no estudo foram cozidas sem óleo em um forno de microondas, o que parece ser a melhor maneira de preservar seus nutrientes, conforme sugeriram os pesquisadores. O trabalho foi apresentado durante o encontro da Sociedade Americana de Química (ACS), entidade sem fins lucrativos que apoia pesquisas na área.

Na hora de ir às compras, o consumidor deve escolher batatas que estejam lisas, firmes, sem manchas esverdeadas e livres de brotos. As batatas esverdeadas e as que estão com brotos nunca devem ser consumidas, pois causam cólicas, gastrite e disenteria

Confira demais produtos em safra e outros dados, como o Boletim Diário de Preços, no link Informações de Mercado do site da CeasaMinas

 

Mais informações:

Departamento de Comunicação CeasaMinas (31) 3399-2011/2012

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