A IMPORTÂNCIA DAS CEASAS NO ABASTECIMENTO

A criação das Centrais de Abastecimento (CEASAs), nos anos 60, foi a solução encontrada pelo governo brasileiro para organizar, expandir e dinamizar a comercialização de produtos hortigranjeiros, nos principais núcleos urbanos do País, por meio da concentração de compradores e vendedores em um mesmo local. Funciona como ponto de concentração física da produção de hortaliças e frutas oriundas de diversas regiões do Brasil, tendo como função estratégica interligar a produção em escala nacional, garantindo que regiões não produtoras de determinado produto possam consumi-lo, uma vez que outra região o produz.  

A regulamentação do Sistema Nacional de Centrais de Abastecimento (Sinac) aconteceu em 1972, com a desativação do sistema após duas décadas, quando, em 1986, foi criada a Associação Brasileira das Centrais de Abastecimentos (ABRACEN) para servir de elo, de forma opcional, às diversas Ceasas do Brasil. O objetivo foi de otimizar os serviços prestados pelos referidos entrepostos atacadistas, divulgando e promovendo o mercado hortigranjeiro.

Um dos pontos mais importantes da criação das CEASAs está na divulgação de informações de mercado e formação de preços, por tratar-se de um mercado onde os preços são formados de acordo com a oferta e demanda de produtos. Ressalta-se, ainda, nesse contexto, o papel decisivo das centrais no combate ao desperdício.

É importante considerar que, como o País passa por um período de turbulência em todos os setores da economia, as mercadorias não vêm conseguindo sair do campo para chegar à cidade, devido à “greve dos caminhoneiros” deflagrada há uma semana. Há de se ressaltar que são inúmeras as conseqüências geradas à população pelo desabastecimento de alimentos, já que a escassez de produtos tem como conseqüência a prática de preços elevados e o aumento no índice de perdas, principalmente tratando-se de alimentos de alta perecibilidade.  

Por outro lado, os entrepostos de médio e grande porte transformaram-se, em sua maioria, em verdadeiras ferramentas econômico-sociais e âncoras para a Política de Abastecimento Alimentar, bem como se constituindo em um polo importante na geração de postos de trabalho. De acordo com os números da ABRACEN, em 2018, as Ceasas associadas movimentaram 34 bilhões de reais, correspondendo à comercialização de 17 milhões de toneladas de hortigranjeiros.

Enfim, somos de opinião que a deflagração dessa crise trouxe à tona não só a importância do papel que as Ceasas desempenham junto aos consumidores, mas, sobretudo, expõe a premente necessidade de investimentos do setor público, o que não ocorre há 40 anos, em especial, na esfera Federal, na melhor adequação da infraestrutura para o abastecimento. É necessário um olhar mais estratégico para as Centrais de Abastecimento, tendo consciência que as mesmas se constituem em um poderoso instrumento de gestão proativa para garantir, com reconhecida qualidade, a segurança alimentar e nutricional da população brasileira, bem como estimular a produção e o consumo de hortaliças, frutas e demais produtos naturais e atípicos.  

É preciso despertar e cientificar todos os segmentos da sociedade, principalmente o poder público da real e da grande importância das CEASAs, que apesar de todos os desmontes e dificuldades ao longo de sua existência, ainda consegue ser a locomotiva no processo de abastecimento alimentar da população, independentemente de sua classe social. Em suma, alertamos:

▪ A PROBLEMÁTICA DO ABASTECIMENTO E DA ALIMENTAÇÃO DEVE SER ENTENDIDA DE FORMA SISTÊMICA E ARTICULADA COM OUTRAS QUESTÕES (SOCIAIS, AMBIENTAIS, ECONÔMICAS, CULTURAIS, ETC.);

▪ O PAÍS PRECISA CONTAR COM UMA POLÍTICA NACIONAL DE ABASTECIMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS PARA REDUZIR A INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL;

• O PAÍS PRECISA CONTAR COM SISTEMA DE ABASTECIMENTO PARA EXECUTAR ESSA POLÍTICA, E O MELHOR CAMINHO SERÁ FORTALECER AS CENTRAIS DE ABASTECIMENTO

 

Recife, 30 de maio de 2018.

Gustavo Melo

Presidente da ABRACEN

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