Em plena safra, preço da laranja cai 43,6%

Em plena safra, preço da laranja cai 43,6%

Detentor do maior parque citrícola do mundo, que inclui o interior de São Paulo e o Triângulo Mineiro, o Brasil vive a plena safra da laranja. No atacado de entreposto de Contagem, a laranja está com preço 43,6% menor em relação ao último mês de março, no auge da entressafra. No âmbito da saúde humana, a fruta também é uma ótima pedida: um dos estudos aponta, por exemplo, que o suco de laranja pode auxiliar na prevenção de pedras nos rins.

Entre junho e maio, o produto ficou 15,3% mais barato na CeasaMinas e, em relação a junho do ano passado, o preço recuou 1,9%. Segundo o chefe da Seção de Informações de Mercado da CeasaMinas, Ricardo Fernandes Martins, a expectativa é de que a fruta apresente situação favorável ao consumidor até setembro.

De acordo com ele, o preço maior no início deste ano justifica-se pela oferta reduzida, que concentrou-se basicamente na variedade pera rio. Atualmente, o aumento do volume vem acompanhado da diversificação de variedades, com a inclusão das laranjas bahia, valência, serra d`água, e até mesmo da tangerina ponkan, fruta concorrente. No primeiro trimestre, o preço da laranja também foi pressionado por outros fatores, tais como o consumo normalmente maior no verão, e a demanda da indústria de sucos.

Bom para o consumidor

O gerente da atacadista CM Frutícola, empresa instalada na CeasaMinas, Ricardo de Paula, acredita que neste ano a situação está ainda melhor para o comprador. O preço médio praticado na empresa, segundo ele, está cerca de 20% mais baixo que no mesmo período de 2016.

Ele afirma que essa redução se deve ao maior volume desta safra 2017/2018. Além disso, ele cita a queda na demanda por causa da crise econômica e do frio mais intenso, quando normalmente é menor a demanda por frutas.

A caixa com 20 quilos de laranja-pera, por exemplo, estava sendo comercializada no último dia 12/7 por R$ 18. Para se ter uma ideia da oscilação, ele cita que, em janeiro deste ano, chegou a vender o mesmo produtor por R$ 40/cx, o equivalente a mais que o dobro, portanto.

“Curiosamente, quando a mercadoria está cara, a procura é maior. Quando está barata, como agora, a demanda cai. É por causa da concorrência também”, explica o gerente.

Tangerina

Já Marcelo Erci da Silva comercializa no Mercado Livre do Produtor (MLP) de Contagem, como representante do agricultor Antônio de Souza, de Alfenas (MG), município da região Sul/Sudoeste do estado. Ele lembra que um dos fatores que têm segurado o preço da laranja é a grande disponibilidade de tangerina ponkan, que acaba concorrendo com os demais citros. “Tem tangerina ponkan sendo vendida a R$ 10/cx para todo lado do MLP”.

Silva afirma que a queda de preço vem desde abril. “Passou de R$ 25 (saco de 18 quilos) naquela época para R$ 18/sc atualmente”, afirma.

São Paulo lidera mercado

Segundo a Citrus BR, associação que representa os maiores produtores de sucos de laranja e derivados do país, a citricultura brasileira é responsável por 34% da produção mundial de laranja. De acordo com a entidade, a cada cinco copos de sucos de laranja consumidos no mundo, três foram produzidos no país. A União Européia é a principal compradora dos sucos de laranja brasileiros, respondendo por 66,7% da demanda.

A liderança brasileira se deve principalmente às lavouras do estado de São Paulo. Do total ofertado de laranjas no entreposto de Contagem da CeasaMinas, entre janeiro e junho deste ano, 88,2% foram provenientes de municípios paulistas. Minas Gerais respondeu por 10,4% do total ofertado.

Conforme Base de Dados organizada pela Embrapa, os paulistas alcançaram em 2015 cerca de 12,3 milhões de toneladas produzidas. Trata-se de uma diferença significativa para o segundo colocado no ranking de produção, que é Minas Gerais, o qual produziu aproximadamente 990 mil toneladas, seguido pela Bahia, com 962 mil t.

Com esses dados, São Paulo foi responsável por 73,33% de toda a laranja produzida no país naquele ano. O município paulista de Casa Branca, a cerca de 230 quilômetros da capital, aparece como o maior produtor brasileiro, com 694 mil toneladas colhidas de laranjas.

O município mineiro melhor colocado entre os maiores produtores é Comendador Gomes, na região do Triângulo Mineiro, que produziu em 2015 cerca de 200 mil toneladas.

Prevenindo pedra nos rins

Um estudo realizado pela Universidade de Bonn, na Alemanha, apontou que a ingestão de suco de laranja pode contribuir para reduzir o risco de formação de cálculos renais. Além disso, em outra pesquisa, conduzida pela Universidade de Milão, na Itália, os cientistas demonstraram que o consumo de suplementos de vitamina C não proporciona os mesmos benefícios protetores que beber um copo de suco de laranja.

Vale lembrar também que as laranjas contêm polifenóis, que são micronutrientes benéficos à saúde, com efeitos anti-inflamatórios e antivirais, dentre outros.

Confira demais produtos em safra e outros dados, como o Boletim Diário de Preços, no link Informações de Mercado do site da CeasaMinas.

Mais informações:

Departamento de Comunicação CeasaMinas (31) 3399-2011/2012

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